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A nata do blues tocou em festival no Circo
Voador (Rio)
por: Ugo Medeiros
/ Fotos: João Marcelo Dias
Durante três dias, de 1°, 2 e 3 de novembro, os cariocas, enfim, tiveram um
festival que privilegiasse o blues. O palco do Circo Voador,
considerado sagrado por muitos, novamente recebeu este estilo
musical no 3º Festival Nacional de Blues.
Ao longo dos três
dias, músicos consagrados, como Blues Etílicos, Flávio Guimarães e
André Christovam (que não tocava na cidade há cinco anos), puderam
mostrar o melhor do blues nacional. Os espectadores ainda tiveram a
oportunidade de assistir a shows de músicos que ainda não têm o
devido reconhecimento, entre eles Big Joe Manfra e Igor Prado, ambos
fazendo estréia na casa. O festival ainda deu oportunidade para
bandas novas como Mamute, Cristiano Crochemore e Júlio
Maya.
Abertura
O evento foi aberto
pelo Beale Street, trio carioca de blues-rock de primeira qualidade.
Alternando músicas autorais e clássicos de Albert King, Willie Dixon
e Freddie King, o grupo mostrou suas influências roqueiras, porém
não deixando de lado o blues tradicional. A segunda banda da noite,
Like a Rolling Stone, apresentou um repertório recheado de clássicos
de Howlin' Wolf e Muddy Waters, que a banda de Jagger e Richards
regravou em quase 40 anos de estrada. Depois foi a vez de Big Joe
Manfra mostrar sua música enraizada no rockabilly e blues-rock,
sempre com um toque de swing e linhas de baixo funkeadas. Com covers
de Stevie Ray Vaughan, Eric Burdon e Jimi Hendrix, o peso pesado e
sua excelente banda levaram a platéia ao delírio.
O Blues Etílicos encerrou a noite,
justificando o título de melhor banda do país. Além de canções do
novo disco “Viva Muddy Waters”, tocaram alguns hits dos 20 anos de
carreira, como “Dente de Ouro” e o cover de Raul Seixas
“Canceriano sem Lar”.
Segunda Noite
No segundo dia, o
gaúcho Cristiano Crochemore, uma das revelações do evento, mostrou
boa pegada na Stratocaster e fez uma apresentação impecável. Seguido
pelo Mamute, banda com influências claras de rock, os cariocas
puderam escutar clássicos de Cream, Rory Gallagher e John Mayall.
Outro que retornou à
casa foi Maurício Sahady & Blues Groovers. Guitarrista da elite
brasileira, esbanjou técnica nas suas músicas da carreira solo e em
versões mais agitadas de Albert King, B.B. King e ainda dividindo o
palco com Ricardo Werther em “The Hunter”, imortalizada pelos
ingleses do Free.
Apresentando-se pela
segunda vez, Flávio Guimarães exibiu o repertório do novo CD “Vivo”.
Homenageando grandes nomes, como Charlie Musselwhite, Little Walter
e Buddy Guy & Junior Wells, o gaitista fez um concerto perfeito,
que ainda teve participações de Igor Prado e o guitarrista Álamo
Leal.
Encerramento
O último dia reservou
fortes emoções. Após os shows de Blues Power, formada por
ex-integrantes de duas das maiores bandas de blues do Rio, Baseado
em Blues (Fábio Mesquita e Sérgio Rocha) e Big Allanbik (Beto
Werther), e Júlio Maya, que mostrou todo seu virtusionismo na
guitarra, Igor Prado Band apresentou seu som vintage ao público. Ainda
não muito conhecido no Brasil, com exceção de São Paulo, o
guitarrista paulista cantou, ao melhor estilo shouter, o west coast
blues ou swing jazz. Com carreira no exterior respeitada, e com
indicação de melhor disco de 2007 pela Real Blues Magazine, Igor fez
sua estréia no Circo Voador com o pé direito, levando grande parte
dos presentes a dançar.
Com a missão de
terminar o festival, André Christovam foi o escolhido, com justiça.
O mestre do blues brasileiro tocou, com a elegância de costume,
clássicos de Buddy Guy & Junior Wells, Jimmy Reed, entre outros.
Com um novo repertório, exibiu toda a sua técnica que transcede o
blues. Sua apresentação foi marcada por um cover emocionante de
“Little Wing” e pela participação do guitarrista paulista da nova
geração e também produtor, Amleto Barboni.
O evento renovou o
público blueseiro. Há quem tenha conhecido e tornado fã deste estilo
na mesma noite, como a estudante Joana Stingel:
-Para falar a verdade,
eu desconhecia todas essas bandas, mas, ao assistir aos shows do
Igor Prado e André Christovam, fiquei apaixonada por essa música.
Ficarei torcendo pela reedição deste festival no ano que vem!.
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Flávio tocou com o Blues Etílicos e a própria
banda
André encerrou com chave de ouro
Sahady esbanjou
técnica
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Ricardo Werther deu canja com Sahady
Manfra: blues-rock com suingue
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O Blues Power-trio
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Beale: blues-rock e clássicos
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Igor mostrou porque é conhecido lá fora
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