Arte & Cultura| 18/05/2007 | Copyleft

ACORDE

Por Muddy Waters

Blues Etílicos retoma a carreira em tributo às origens da banda e do próprio blues.

Mais de vinte anos depois de ser criado e destacado no cenário musical brasileiro pelo blues, o grupo fluminense Blues Etílicos volta a gravar um álbum todo dedicado a um dos ícones desse gênero norte-americano: Muddy Waters (1915-1983). O álbum Viva Muddy Waters inaugura o braço bluseiro do selo Delira Música, especializado em música instrumental, e retoma a carreira do grupo, que não gravava nada novo desde Dente de Ouro, de 1996 (os seguintes foram duas coletâneas).

A parada do grupo foi, em muito, influenciada pelos trabalhos paralelos de seus integrantes, em especial do gaitista Flávio Guimarães, um dos criadores do grupo ao lado do baixista Cláudio Bedran e do guitarrista Otávio Rocha em meados dos anos 80. Nesta época, os três andavam ouvindo muito os primeiros discos lançados no Brasil de um certo McKinley Morganfield, que passou à história como Muddy Waters, uma das figuras-chave na consolidação do que passou a ser chamado de "Delta Blues", um dos mais populares gêneros musicais norte-americanos feitos às margens do fértil Mississipi.

Quando ainda era o desconhecido Morganfield fazendo canções caudalosas e tocando sua guitarra em curtos e vibrantes staccatos, Muddy Waters foi contactado pelo musicólogo Alan Lomax para uma pesquisa encomedada pela direção da biblioteca do Congresso norte-americano. Era 1941 e Lomax sacou logo que havia encontrado um músico precioso, como se viu mais adiante com a mudança de Waters para Chicago, em 1943, e sua entrada na indústria do disco.

O fato é que o "descobrimento" de Muddy Waters no Brasil deu ao país uma das versões mais duradouras, simpáticas e populares do gênero blues. Somando-se as duas coisas, tem-se no novo álbum do grupo Blues Etílicos uma volta às origens da banda pela origem do próprio blues. O Blues Etílicos firmou-se nacionalmente a partir do Circo Voador, outrora espaço de grande efeverscência cultural no Rio de Janeiro. Gravaram nove discos com praticamente a mesma formação deste 1987 (exceto a troca de bateristas em 1994 e a passagem do vocalista Vasco Faé entre 2003 e 2005). A formação atual conta com os três criadores já citados mais Greg Wilson (guitarrista e cantor norte-americano radicado no Brasil) e Pedro Strasser (bateria).

O auge do Blues Etílicos deu-se entre o final dos anos 80 e início dos 90, a bordo dos discos Água Mineral (1989), San-ho-Zay (1990) e Blues Etílicos IV (1991), todos lançados pela gravadora Eldorado. Venderam cifras inéditas para o gênero no Brasil, fizeram excursões por todo o país e América Latina e abriram shows para outros famosos mundiais do blues por aqui (Buddy Guy, Robert Cray, Magic Slim etc). O mestre B.B King os chamaram para abrir sua última apresentação no país, em 2004. A partir de 1994 (coincidentemente com o lançamento de Salamandra, pela gigante Sony), o mercado para o grupo foi minguando, além dos projetos paralelos que começaram a acontecer.

Nessa volta, o grupo resolveu fazer um tributo respeitando as origens do gênero. O disco foi gravado no fim do ano passado em sessões ao vivo no estúdio do produtor Amleto Barboni, em São Paulo. Viva Muddy Waters é o velho e bom blues tocado de forma enxuta, mas musicalmente rico, cheio de bons solos de guitarra e gaita e diálogos de vozes, dos intrumentos e dos intérpretes Greg Wilson e Flávio Guimarães. São 10 faixas; 11 se o comprador for ao site do selo e baixar King Bee (James Moore), a faixa-bônus que vem com a senha que ganha no CD. Outro ícone do blues nacional, André Christovam toca violão na décima faixa.

A maioria são composições de Muddy Waters, com exceções de I Want To Be Loved, de Willie Dixon, e Seems Like the Whole World Was Crying, que Charles Musselwhite cedeu pessoalmente ao grupo. São faixas belíssimas e mais do que apropriadas para o CD. Dixon (1915-1992), compositor, baixista e cantor, foi também produtor e colaborador de Muddy Waters e Musselwhite é gaitista respeitado e ainda na ativa. O Blues Etílicos volta em bela e coerente deferência ao estilo que a projetou. Que a volta seja longa e produtiva.

Viva Muddy Waters
Blues Etílicos
Gravadora: Delira Blues
Preço: R$ 22,90, no site do selo:www.delira.com



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COMENTÁRIOS (1 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
Muito bom, muito bom! Mas, ... Abinoam Praxedes M... 18/05/2007
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18/05/2007

Por Muddy Waters : Blues Etílicos retoma a carreira em tributo às origens da banda e do próprio blues.

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